Comissária Europeia assume necessidade de criar estratégias anti-pirataria na Net
A Comissária Europeia de Assuntos do Consumidor, Meglena Kuneva, recebeu, hoje, dia 27 de Abril, na Fundação Calouste Gulbenkian, o MAPiNET (Movimento Cívico Anti-Pirataria na Internet). Meglena Kuneva e o Movimento MAPiNET partilham da mesma opinião: é urgente e necessário alterar os comportamentos ilegais dos downloads na internet.
Meglena Kuneva afirma antes de mais que «há que criar consumidores éticos, é necessário consciencializá-los, e a partir daí trabalhar o mercado para que haja um consenso entre as partes. Temos que encontrar uma solução estável», reafirmando ainda que todo este processo tem de ter em conta, sempre, os direitos dos consumidores.
O MAPiNET defendeu no decorrer da reunião formal com a Comissária Europeia, a necessidade de alertar as autoridades europeias e nacionais, nomeadamente no âmbito das políticas dos consumidores, para as consequências da pirataria num futuro próximo. Foi reafirmada a posição de que a pirataria compromete a diversidade cultural e informativa e diminui a oferta de conteúdos aos consumidores.
Eduardo Simões, Director Geral da Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), foi aliás categórico: «Há um problema para resolver, e o acesso desregrado não pode continuar, pelo que é importante envolver as organizações de consumidores. Também começar por fazer pedagogia de Direitos de Autor que deverá ser incluída nos programas escolares»
O movimento MAPiNET tem por objectivo a promoção, discussão e consciencialização, através de programas educacionais, de matérias relacionadas com os direitos de propriedade intelectual. Tó Zé Brito refere que «se esta situação continua assim quem vai ser prejudicado são curiosamente os próprios consumidores, pois os criadores vão retrair-se». Segundo este assessor da Sociedade Portuguesa de Autores e ele próprio músico, «as editoras vão desistir de apostar em novos valores e por isso no futuro a oferta será cada vez menor»
O Movimento Cívico tem vindo a promover contactos com os ISP’s no sentido de os alertar para as consequências da pirataria na internet e com eles trabalhar em soluções consensuais para prevenir os downloads ilegais. Uma das propostas defendidas pelo MAPiNET é uma solução similar à contemplada pelo projecto francês «Criação e Internet», a ser aprovada na sequência do designado Acordo de Olivennes, isto é num quadro de auto-regulação.
João Palmeiro, presidente da Associação Portuguesa de Imprensa, adiantou que «a propriedade intelectual é importante para a sociedade, mas deverá trabalhar-se numa estratégia de auto-regulação, uma vez que há experiências positivas nesta área em vários países».
Este cenário de auto-regulação passa pela criação de estratégias conjuntas, de carácter educativo e preventivo, em primeira linha, que se revelem adequadas ao propósito de combater a pirataria na internet. Dentro deste cenário, os progressos da auto-regulação serão acompanhados pelo regulador e pelas instâncias governamentais responsáveis pela tutela destas matérias.
O MAPiNET criou um sitio (www.mapinet.org) e visa criar um grupo de reflexão para encontrar e implementar soluções que passam, desde logo, por tornar o utilizador de internet mais consciente dos seus comportamentos. A continuidade da situação actual de downloads ilegais das obras musicais, audiovisuais e escritas pode num futuro próximo comprometer de forma séria e irreversível a diversidade de conteúdos à disposição de todos os consumidores.