O tracker BitTorrent mais popular do mundo e quatro arguidos, entre os quais os seus responsáveis, Fredrik Neij, Gottfrid Svartholm Warg, Peter Sunde e Carl Lundström começarão a ser julgados a partir desta segunda-feira no país sede do malfadado tracker, a Suécia.

O processo iniciou-se no dia 31 de Maio de 2006 quando a sede do Pirate Bay foi alvo de uma busca judicial e os seus servidores apreendidos. Chega agora a hora do julgamento em que os seus responsáveis arriscam-se a ser condenados a 2 anos de cadeia e a pagarem uns ridículos 185 000 dólares face aos prejuízos milionários que já provocaram quer a nível económico quer social.
Recorde-se que o Pirate Bay tem 25 Milhões de utilizadores e gerará 3 Milhões de dólares por ano em receitas, segundo a IFPI. Claro que, como em tudo no mundo da pirataria, todas estas contas são obscuras e ninguém sabe bem quais são e de onde vêm. Provadas estão receitas de publicidade no valor de 75 000 dólares mensais, mas o que deverá chamar a atenção dos cidadãos preocupados com esta temática é a incorporação no rol de arguidos de Carl Lundström.
É que nesta questão de Carl Lundström pode estar a chave para a compreensão de toda esta engrenagem da pirataria e na desconstrução da argumentação manifestamente falaciosa dos defensores do fim do copyright.
Quem é Carl Lundström? Trata-se de um milionário, magnata do império “Wasa” (curiosamente produtos alimentares, pena não serem digitalizáveis…) e, segundo a imprensa sueca, com fortes ligações à extrema direita.
Os piratas não negam que o apoio de Lundström tenha existido e que tenha sido mesmo vital para o Pirate Bay, mas rejeitam a ideia de que as receitas sirvam para financiar grupos néo-nazis como podemos ver na entrevista abaixo.
Pirate Bay suportado por extremistas de direita radical?!
A verdade é que a explicação oficial deveria ter levantado ainda maior debate. Mas como se viu, pouco se falou disso. Dizem eles que um dos fundadores do Pirate Bay, Fredrik Neij trabalhava, pasme-se, para um importante ISP sueco chamado Rix Telecom. Ora, quem era o director e parcialmente proprietário desse ISP à altura? Nada mais nada menos que Lundström. Neij pediu apoio ao seu futuro-ex-patrão para abrir o seu “negócio”, e o director do importante ISP achou que era simpático ajudar o seu funcionário a lançar-se a solo. Qualquer interpretação de que a criação de um tracker de Bittorrent seria benéfica para a empresa que dirigia, um ISP, é mera especulação. Quando interrogados sobre a generosidade de Lundström eles disseram que “se calhar Lundström é um amante da cultura livre”. Pois, se calhar é…
Continuamos sem saber se Lundström quis ajudar os seus amigos de cabeça rapada, se quis apenas beneficiar o seu ISP, mas o que a procuradoria irá mostrar é que certamente se ajudou a si mesmo. Em tribunal serão apresentadas 4 000 páginas de provas que demonstram que Lundström deteve a determinada altura 8,5 % do Pirate Bay. Vão mostrar igualmente que Lundström enviou um sms a avisar Neij que estava iminente a operação policial à sede do Pirate Bay e sugerindo que mudassem os servidores para a Argentina.
Mas a falta de respeito pelos outros, para o Pirate Bay, não se esgota na propriedade intelectual (e porque haveria de esgotar? Quem não tem estrutura moral, simplesmente não a tem). Há alguns meses aconteceu um caso paradigmático:
Numa enorme tragédia, duas crianças, uma com três anos outra com apenas um ano de idade, foram barbaramente assassinadas na Suécia. Em pouco tempo, alguém arranjou as fotos da autópsia e decidiu partilhá-las (!!!) colocando um torrent dessas macabras fotos no Pirate Bay. O pai das crianças, ainda mal refeito do choque, pediu encarecidamente aos administradores do site que retirassem os torrents das fotos dos seus filhos mortos, a serem recortados na marquesa da morgue. Pedido recusado. Não senhor, a liberdade acima de tudo pelo que não retiramos as fotos dos seus filhos mortos dos nossos servidores. E lá houve 50 000 pessoas que terão adorado ver aquelas fotos.
Na sequência disto, houve uma televisão sueca que convidou Peter Sunde, para falar em directo sobre o assunto. Ora Sunde, como qualquer bom cobarde, disse que ia, desde que o pai da criança não fosse convidado. Liberdade de expressão sim senhor, mas sem contraditório. Sunde teve azar. A televisão não cumpriu o prometido e meteu o pai das crianças no ar, dando um raspanete de todo o tamanho no piratinha em directo para toda a Suécia ouvir. Os piratinhas não gostaram, e decidiram fazer um black out. Parece que ficaram ofendidos por terem sido confrontados cara a cara com as suas vítimas… Não respeitam ninguém, ainda gozam com quem quer fazer valer os seus direitos (http://thepiratebay.org/legal), mas exigem ser respeitados. Dêem-se ao respeito!
É portanto esta gente que será julgada na segunda-feira mas eles já descansaram toda a comunidade pirata. Disseram, sem qualquer pudor, que seja qual for a decisão do tribunal, o Pirate Bay continuará online. Assim mesmo.
E eles sabem do que falam. Conhecem o marasmo em que vive a legislação actual sobre a protecção à propriedade intelectual em todo o mundo, e com tal já têm servidores na Rússia e na Holanda de forma a dificultar a tarefa aos detentores de direitos.
O MAPiNET vai seguir atentamente o julgamento e certamente não ficará indiferente à possível condenação destes piratas.